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Jornal da USP
Um grupo de nove universidades paulistas apresenta uma programação especial que alia arte, ciência e lazer
O Canal Universitário está no ar
Boa nova para os assinantes das TVs a cabo: o Canal Universitário de São Paulo (CNU) entra no ar a partir desta terça-feira (dia 11). Com uma programação especialmente criada por um pool de nove universidades, esta rede vai apresentar uma opção singular de cultura, ciência e lazer.

Diariamente, das 15 às 24 horas, o público poderá acompanhar programas sobre economia, política, educação e cultura em geral. "A universidade sai da torre de marfim para ocupar a torre de transmissão", diz Gabriel Priolli, coordenador da rede e diretor geral da TV PUC. "O público poderá apreciar exposições de arte, documentários. E observar a produção científica e artística dos pesquisadores, docentes e também dos estudantes. Irá acompanhar ainda as aplicações das pesquisas e os serviços de extensão universitária."

A meta do Canal Universitário é dinamizar também a educação a distância. "O projeto da TV USP, por exemplo, é organizar a médio prazo uma produção de apoio cultural e científico para professores e estudantes de primeiro e segundo graus", conta Marília Franco, assessora da Coordenadoria de Comunicação Social na direção da TV USP e professora do Departamento de Cinema e TV da ECA. "Estaremos desenvolvendo novos formatos de divulgação do conhecimento. Pretendemos exibir também teledramaturgia de qualidade e, até mesmo, eventos esportivos, cobrindo as competições de nível universitário."

Ao contrário dos outros canais, a programação vai ter propostas de comunicação e linguagem visual diferentes, mesmo porque está sendo produzida por instituições diversas. O projeto é resultado de um convênio assinado entre as seguintes universidades: Mackenzie, PUC, Federal de São Paulo, Cruzeiro do Sul, Santo Amaro, Paulista, São Judas, Bandeirante e USP. Por enquanto, a transmissão será coordenada pela TV PUC (rua Monte Alegre, 1.024, Perdizes), que já dispõe de toda a infra-estrutura necessária.

O lançamento do Canal Universitário vai nesta segunda (dia10) às 21 horas. "Vamos mostrar um programa especial com um resumo do que cada universidade pretende oferecer ao público", avisa Priolli. Entra no ar através de três operadoras de televisão por assinatura da capital paulista: no canal 15 pela Multicanal e NET, das Organizações Globo, e nos canais 67 para assinantes com decodificador e 68 para os que têm conversor, pela TVA, do Grupo Abril. Toda a programação será controlada por um conselho gestor, integrado por representantes de todas as universidades e dirigido pelos professores Roberto MacCracken (presidente), da Universidade Mackenzie, e Celso de Barros Gomes (vice-presidente), da USP. No plano operacional, as atividades estão sendo acompanhadas por uma diretoria executiva formada por cinco membros, tendo como coordenador o professor Gabriel Priolli, da PUC.

Opção para estudantes
O Canal Universitário chega em um momento muito oportuno. Os estudantes que se preparam para o vestibular vão poder conhecer os cursos oferecidos pelas instituições e também seus laboratórios e atividades culturais e sociais. "O pessoal terá uma visão geral das universidades", observa Marília. "Isto será muito bom porque irá ajudar, inclusive, a decidir onde se inscrever e até mesmo orientar na escolha dos cursos."

Marília faz questão de ressaltar, no entanto, que a produção dos programas obedece a um código de ética. "Nenhuma universidade poderá fazer propaganda comparativa e muito menos, criar um clima de competição." Priolli observa também que o objetivo é a cooperação entre as universidades. "Nós queremos mostrar a importância de um projeto coletivo em prol da educação e cultura. É claro que cada instituição vai procurar buscar o melhor programa, o que é muito saudável."

Por outro lado, todos têm total liberdade para preencher o seu horário. Seguem o princípio da autonomia universitária. Cada universidade constitui uma televisão distinta, com produção e programação independentes, mas partilha com as demais uma grade de nove horas diárias, de segunda a domingo. Nesta fase inicial, ocuparão o período das 15 às 24 horas, mas daqui a três meses ele poderá ser ampliado.

A cada universidade estão destinados dois blocos diários de meia hora de duração, totalizando 14 blocos por semana. O mesmo programa exibido à tarde será repetido durante a noite. "Os horários das instituições foram decididos através de sorteio. E haverá um rodízio entre eles. Assim, todas partilharão igualmente dos horários nobres", esclarece Marília.

TV USP: participação
"A integração no Canal Universitário é o resultado de um longo processo de maturação, que levou à elaboração do projeto geral assentado em valores e conceitos que bem caracterizam a atuação da Universidade de São Paulo em termos de padrão ético e de qualidade." Com essas palavras, o professor Celso de Barros Gomes, presidente da Comissão da TV USP, se refere ao programa em fase de implantação que deverá, no seu entender, constituir um novo ponto de referência da Universidade. "É um enorme desafio a ser enfrentado, principalmente se for considerado o fato de que ainda não há a infra-estrutura necessária", salienta. "Contudo, a existência de um extenso acervo de material audiovisual da melhor qualidade em diversas unidades nos dá a esperança da potencialidade do nosso material humano e nos antecipa o sucesso desse projeto."

A participação no Canal Universitário exige, segundo a assessora Marília, a participação e disposição dos professores, estudantes e funcionários de todos os institutos e unidades. "Agora, vamos ter que criar uma cultura audiovisual na Universidade", observa. "Está criada a oportunidade para se divulgar as atividades dos departamentos. Porém, cada um terá que se preocupar em registrá-las. Por exemplo, ao promover um debate os organizadores que quiserem um espaço na televisão terão que elaborar uma produção adequada."

Marília deixa claro que a preocupação não é criar uma central única de reportagens. "Se fizéssemos isto, a programação acabaria muito uniforme. Por isso, cada unidade precisa assumir a sua parcela de responsabilidade e participação na TV USP. Todas terão a chance de exercitar a melhor linguagem para se comunicar."

A expectativa é de que a TV USP traga boas surpresas. "Imaginem. Um programa feito pela Faculdade de Direito da São Francisco será muito diferente do que a Medicina, a ECA e a Filosofia têm para oferecer. As particularidades de cada departamento serão uma atração à parte." As unidades que não estiverem preparadas para participarem, no momento, do Canal Universitário, não precisam se preocupar. Elas terão o suporte e a orientação da equipe da TV USP, do Departamento de Cinema, Rádio e TV e do Univídeo (projeto que vem catalogando todos os vídeos feitos na Universidade, além de formar, com a parceria do Departamento de Relações Humanas, técnicos com capacitação audiovisual).

Para o público, a TV USP será uma janela aberta. "Os contribuintes de São Paulo saberão exatamente onde e como a USP aplica os recursos públicos a ela destinados", afirma a assessora. "Pretendemos transmitir a imagem da Universidade em seu pluralismo, excelência, interatividade, valorização da construção do conhecimento, de formação cultural das novas gerações e dar uma resposta ao investimento da sociedade."

Nesta primeira fase, a TV USP apresenta uma seleção de vídeos já produzidos pelas próprias instituições. "Nenhum deles foi criado especialmente para esta exibição", avisa Marília. "Eles foram reunidos pelo Univídeo, mas são de excelente qualidade. Caberá à comunidade universitária, daqui para frente, mobilizar-se na criação de seu discurso audiovisual. Para isso, a equipe da TV USP está aberta à proposição de projetos."
 
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